A BYD, uma das principais fabricantes de veículos eletrificados do mundo, enfrenta um cenário de contrastes em 2026. Enquanto as vendas dentro da China perderam ritmo, a empresa vem acelerando sua presença em mercados internacionais e aumentando a participação das exportações em seus resultados.
 
No primeiro semestre, a BYD comercializou aproximadamente 1,81 milhão de veículos de nova energia, volume 15,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, as exportações chegaram a cerca de 792 mil unidades, crescimento de 67,8% em um ano.
 
Liderança na China fica ameaçada
 
O recuo nas vendas domésticas permitiu que a Geely se aproximasse da liderança. Considerando as vendas realizadas dentro da China no primeiro semestre, a BYD registrou aproximadamente 1,016 milhão de veículos, enquanto a Geely chegou a cerca de 950 mil unidades.
 
A diferença entre as duas empresas ficou em apenas 66 mil veículos, cenário que ganha importância diante da meta declarada pela Geely de assumir a liderança do mercado chinês em 2026.
 
Existe, porém, uma diferença importante entre as fabricantes. A BYD trabalha exclusivamente com veículos eletrificados, incluindo modelos elétricos e híbridos plug-in. Já a Geely ainda possui uma participação relevante de veículos equipados exclusivamente com motores a combustão.
 
Oito meses de queda
 
A BYD acumula uma sequência de meses com desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O início de 2026 foi especialmente difícil para a fabricante.
 
Em janeiro, a queda anual chegou a 30,7%, enquanto fevereiro apresentou retração de 41,8%. Nos meses seguintes houve recuperação em relação ao volume mensal, mas os resultados continuaram abaixo dos registrados em 2025.
 
Entre janeiro e abril, a BYD havia comercializado pouco mais de 1 milhão de automóveis de passageiros, queda de 26,4% na comparação anual.
 
No balanço do primeiro semestre, considerando todos os veículos de nova energia, foram aproximadamente 1,808 milhão de unidades, redução de 15,72%.
 
Bateria também pesa nos resultados
 
Parte da dificuldade enfrentada pela fabricante está relacionada à produção da segunda geração da bateria Blade.
 
Segundo Wang Chuanfu, presidente da BYD, a capacidade de fabricação da nova tecnologia ainda não é suficiente para atender plenamente à demanda. As linhas de produção passaram por atualizações para ampliar a capacidade, mas o fornecimento continua sendo um fator de atenção para a empresa.
 
A situação ocorre justamente durante o processo de expansão da nova geração de veículos e dos sistemas de recarga rápida da fabricante.
 
Os resultados financeiros também sentiram o impacto. A receita da BYD caiu 7,1% no primeiro semestre, para 344,8 bilhões de yuans, enquanto o lucro líquido recuou 20,5%, para 12,32 bilhões de yuans.
 
Exportações se tornam cada vez mais importantes
 
Se o mercado chinês apresenta dificuldades, o cenário internacional é bem diferente.
 
Entre janeiro e junho, a BYD exportou aproximadamente 792 mil veículos, crescimento de 67,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Com isso, as vendas internacionais já representam aproximadamente 44% do volume total da companhia.
 
A fabricante estabeleceu uma meta de 1,5 milhão de veículos vendidos fora da China em 2026, mas a própria empresa admite que o resultado pode superar essa marca.
 
Em abril, por exemplo, foram comercializados 134.542 carros de passeio e picapes fora da China, alta de 70,9% e, naquele momento, novo recorde mensal para as vendas internacionais da marca.
 
Brasil ganha importância
 
O Brasil está entre os mercados que vêm contribuindo para a expansão internacional da BYD. A fabricante ampliou sua presença no país principalmente com modelos elétricos e híbridos plug-in.
 
A estratégia também deve avançar com produtos desenvolvidos levando em consideração as características do mercado brasileiro. Um dos exemplos é a picape Mako, que deverá ampliar a atuação da marca em um segmento ainda dominado por fabricantes tradicionais.
 
Além dos modelos da própria BYD, as divisões premium do grupo também registraram crescimento. Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang somaram aproximadamente 228 mil veículos vendidos no primeiro semestre, alta de 61% em um ano.
 
Juntas, as três marcas já representam cerca de 12,6% das vendas do grupo.
 
O cenário mostra uma mudança importante na estratégia da BYD: enquanto a disputa pela liderança dentro da China fica mais apertada, a expansão internacional passa a ter um peso cada vez maior para sustentar o crescimento da fabricante.