O Brasil iniciou os preparativos para testar a chamada gasolina E35, que terá 35% de etanol anidro em sua composição. A mudança ainda está em fase de avaliação e não significa que o combustível já será comercializado nos postos.
 
Segundo o especialista Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a elevação do percentual de etanol precisa ser acompanhada de ajustes em outros parâmetros da gasolina, principalmente octanagem e massa específica.
 
A preocupação é que, sem essas alterações, fraudadores possam utilizar componentes de menor qualidade, como determinados solventes ou naftas, para produzir uma gasolina adulterada que consiga atender a alguns parâmetros básicos de fiscalização.
 
A própria ANP reconhece que uma amostra de gasolina pode aparentar conformidade em determinados testes mesmo após a adição de solventes. Por isso, a agência mantém um programa de marcação compulsória desses produtos para facilitar a identificação de adulterações.
 
O que é octanagem?
 
A octanagem, medida pelo índice RON, indica a resistência do combustível à detonação dentro do motor. Quanto maior o índice, maior a resistência à detonação e, em determinadas condições, maior a possibilidade de aproveitamento da capacidade do motor.
 
A ANP atualmente trabalha com especificações próprias para a gasolina e mantém em andamento uma revisão dos parâmetros relacionados à qualidade do combustível. Para a gasolina C comum, a agência elevou o RON mínimo de 93 para 94 na regulamentação associada à mistura E30.
 
O aumento da octanagem também pode ajudar a compensar parte da perda energética provocada pelo maior percentual de etanol, que possui menor poder calorífico por litro do que a gasolina.
 
O que é massa específica?
 
A massa específica representa a relação entre a massa e o volume do combustível e é um dos parâmetros utilizados para verificar sua composição e qualidade.
 
A ANP estabelece limites para esse indicador e determina testes de massa específica e teor de etanol na rotina de recebimento da gasolina pelos postos.
 
A manutenção de parâmetros adequados é importante porque a alteração da composição do combustível pode exigir ajustes nas especificações para evitar que produtos de menor qualidade se enquadrem artificialmente nos limites regulamentares.
 
Quando a gasolina E35 chegará aos postos?
 
Ainda não há data definida para a chegada da gasolina E35 aos postos.
 
A introdução de um novo combustível ou de uma nova especificação depende de testes controlados e de regulamentação. A própria ANP estabelece que combustíveis experimentais precisam passar por procedimentos específicos antes de uma eventual comercialização.
 
Portanto, neste momento, a E35 deve ser tratada como uma mistura em avaliação, e não como um combustível que já esteja disponível normalmente nos postos brasileiros.
 
Montadoras questionam aumento do etanol
 
O aumento do percentual de etanol também é motivo de questionamentos por parte de entidades que representam fabricantes e importadores de veículos. A preocupação envolve principalmente modelos movidos exclusivamente a gasolina e aspectos como durabilidade, emissões, autonomia e funcionamento da frota.
 
Enquanto os testes da E35 avançam, a discussão envolve não apenas o percentual de etanol, mas também quais parâmetros técnicos deverão acompanhar uma eventual mudança na composição da gasolina.