Ter um seguro automotivo ainda está longe da realidade da maioria dos brasileiros. Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revela que apenas 29% da frota nacional conta com cobertura securitária. Na prática, isso significa que aproximadamente 44 milhões de automóveis circulam sem proteção contra roubos, furtos, colisões e outros imprevistos.
O estudo também traçou o perfil de quem mais contrata o serviço. Segundo a pesquisa, a classe C lidera entre os consumidores de seguro automotivo, representando 41% das apólices. Em seguida aparecem a classe B (24%), a classe D (23%), a classe E (7%) e a classe A (5%).
Apesar da liderança da classe média, a entidade destaca que a participação ainda é inferior ao peso desse público na população brasileira, indicando que muitos proprietários deixam de contratar o serviço por questões financeiras.
Além do perfil do consumidor, o levantamento mostra que o seguro deixou de ser uma proteção restrita aos veículos de alto valor. Cerca de 73% dos automóveis segurados no país valem até R$ 100 mil, demonstrando que a procura pelo serviço tem crescido entre proprietários de carros populares e modelos intermediários.
Outro dado chama atenção para a concentração regional. Mais da metade dos veículos segurados está no Sudeste, que reúne 53% das apólices emitidas no país. Na sequência aparecem Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%), refletindo a distribuição da frota e da renda entre as regiões brasileiras.
Para a CNseg, três fatores explicam a baixa adesão ao seguro: o valor da apólice, a renda limitada de boa parte da população e a percepção de que a contratação ainda representa um gasto secundário. Em média, o seguro pode custar entre 4% e 8% do valor do veículo, percentual que pesa no orçamento de muitas famílias.
Mesmo com esse cenário, o mercado continua em expansão. Nos últimos dez anos, a arrecadação das seguradoras praticamente dobrou, acompanhando o crescimento da frota nacional, a valorização dos veículos e o aumento dos custos de reparo.
Para os especialistas, o grande potencial de crescimento do setor continua sendo a enorme quantidade de veículos que circula sem qualquer proteção. Com milhões de automóveis expostos diariamente a acidentes, roubos e furtos, a tendência é que o mercado busque oferecer produtos mais flexíveis e acessíveis para ampliar o número de segurados nos próximos anos.