Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou uma vulnerabilidade em modelos da Toyota Hilux e SW4 que estaria sendo explorada por quadrilhas especializadas em furtos de veículos. Segundo relatório produzido pela corporação, a falha permitiria o acesso à caminhonete sem o acionamento do sistema de alarme, facilitando a ação criminosa.
O problema ganhou destaque após uma sequência de furtos registrada na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, onde a Hilux aparece como um dos principais alvos dos criminosos.
De acordo com o levantamento policial, a maioria dos veículos furtados era formada por unidades fabricadas entre 2016 e 2022. Somente entre janeiro e abril de 2026, 34 modelos Hilux e SW4 foram levados em Mato Grosso do Sul.
Falha estaria ligada ao sistema de chave inteligente
Segundo a investigação, a vulnerabilidade estaria relacionada ao sistema de chave inteligente utilizado pela Toyota.
Os policiais apontam que criminosos utilizam uma ferramenta fina para acessar componentes localizados próximos à maçaneta da porta. A ação permitiria simular um sinal legítimo da chave original, fazendo com que o veículo destrave sem disparar alarmes ou levantar suspeitas.
Após entrar no carro, os criminosos utilizariam equipamentos eletrônicos capazes de programar ou clonar chaves, permitindo a partida do motor em poucos minutos.
O relatório destaca que aparelhos utilizados para esse tipo de invasão já podem ser encontrados no mercado clandestino por valores inferiores a R$ 5 mil.
Quadrilhas atuam em diversos estados
O documento aponta que o método já foi identificado em diferentes regiões do país.
Nos últimos dois anos, operações policiais desarticularam grupos especializados em furtos de Hilux e SW4 em estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Goiás.
Em alguns casos, os veículos eram levados para países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Chile, onde eram revendidos ou desmontados.
Como aumentar a proteção
Especialistas em segurança automotiva alertam que nenhuma medida é capaz de impedir totalmente a ação de criminosos, mas algumas soluções podem dificultar significativamente os furtos.
Entre as recomendações estão a instalação de rastreadores homologados, sistemas de bloqueio eletrônico adicionais, imobilizadores com senha e travas físicas de volante ou rodas.
Em algumas cidades brasileiras, estacionamentos privados já passaram a utilizar travas extras em modelos Hilux e SW4 devido ao elevado índice de furtos registrados nos últimos anos.
Proprietários relatam ação rápida
Casos registrados por vítimas mostram que o furto pode ocorrer em poucos minutos e sem sinais aparentes de arrombamento.
Segundo relatos obtidos durante as investigações, muitos proprietários só percebem o crime quando retornam ao local onde estacionaram o veículo, já que o método não costuma gerar ruídos, danos visíveis ou acionamento do alarme.
Até o momento, a Toyota não comentou oficialmente as conclusões apresentadas pela Polícia Civil sobre a suposta vulnerabilidade apontada no relatório.