A Hyundai adotou uma decisão pouco comum em seus novos modelos: algumas versões de entrada do Elantra e do elétrico Ioniq 3 deixam de trazer de série o painel de instrumentos digital localizado diante do motorista.
 
O equipamento, uma tela fina de 9,9 polegadas, exibe informações como velocidade, nível de combustível ou bateria, consumo e alertas. Nos carros que não contam com o display, esses dados ficam concentrados na grande tela multimídia central.
 
A mudança faz parte da nova arquitetura Pleos Connect, sistema de entretenimento e conectividade desenvolvido pelo Hyundai Motor Group para seus futuros veículos.
 
Elantra cobra pelo painel
 
Na Coreia do Sul, onde o Elantra é vendido como Avante, a versão de entrada não traz o painel digital de 9,9 polegadas.
 
Quem quiser o equipamento pode adicioná-lo por 350 mil won, aproximadamente R$ 1,2 mil em conversão direta. Outra alternativa é subir para uma configuração que já ofereça o equipamento de série.
 
A situação também se aplica às versões híbridas do sedã no mercado sul-coreano, que seguem a mesma lógica de equipamentos.
 
Ioniq 3 tem situação ainda mais curiosa
 
No Ioniq 3, a estratégia é semelhante, mas há uma diferença importante dependendo do mercado.
 
No Reino Unido, por exemplo, a versão de entrada Advance não possui o display diante do motorista. O equipamento passa a ser oferecido somente a partir de uma versão superior, e não há a mesma possibilidade de simplesmente adicioná-lo como opcional na configuração básica.
 
Com isso, velocidade, autonomia e outras informações essenciais ficam disponíveis na tela central do veículo.
 
Por que a Hyundai fez isso?
 
A explicação está na própria filosofia do Pleos Connect, que transforma a central multimídia em uma espécie de plataforma digital do automóvel.
 
O sistema é baseado no Android Automotive OS e oferece aplicativos, inteligência artificial, comandos por voz, múltiplas janelas e atualizações remotas. A Hyundai pretende levar a tecnologia para aproximadamente 20 milhões de veículos Hyundai, Kia e Genesis até 2030.
 
Ao concentrar mais funções em uma única tela, a fabricante também reduz a quantidade de componentes físicos utilizados no interior, como uma segunda tela, estrutura de acabamento, chicotes e outros elementos necessários para um painel separado.
 
A questão é a ergonomia
 
Apesar de o veículo continuar exibindo as informações necessárias, a mudança levanta uma discussão sobre ergonomia e segurança.
 
Com um painel tradicional, o motorista consegue verificar rapidamente a velocidade e outros dados sem precisar desviar significativamente o olhar da região à frente do veículo.
 
Quando essas informações estão concentradas na tela central, é necessário deslocar os olhos para uma posição mais distante do campo de visão principal.
 
Curiosamente, a própria Hyundai apresenta a tela fina diante do motorista como um elemento criado para manter informações importantes na linha de visão do condutor. No conceito original do Pleos Connect, o display exibe justamente velocidade, mídia e orientações de navegação.
 
Modelos mais caros ainda têm o painel
 
A ausência do equipamento não é uma característica de todos os veículos equipados com Pleos Connect.
 
O Hyundai Grandeur, modelo mais sofisticado da marca que estreou o novo sistema, mantém o display de instrumentos diante do motorista, combinado a uma grande tela central.
 
A própria arquitetura do Pleos Connect permite diferentes configurações de telas, deixando a decisão sobre quais equipamentos estarão disponíveis vinculada ao posicionamento e à versão do veículo.
 
Por enquanto, a estratégia foi identificada nos mercados internacionais e não significa que a mesma configuração será adotada pela Hyundai em todos os países.