O Grupo Volkswagen prepara uma ampla reestruturação de suas operações e poderá reduzir em até 50% o número de modelos oferecidos globalmente até 2030. A estratégia busca diminuir custos, simplificar o desenvolvimento de veículos e recuperar a rentabilidade em meio a um mercado automotivo cada vez mais competitivo.
Além de retirar modelos do portfólio, o plano prevê reduzir em até 75% a complexidade da operação. Isso significa diminuir a quantidade de motorizações, versões e pacotes de equipamentos disponíveis nos diferentes mercados.
A intenção é evitar, principalmente, que marcas pertencentes ao mesmo grupo desenvolvam produtos ou soluções muito semelhantes, duplicando investimentos e trabalhos de engenharia. Atualmente, o Grupo Volkswagen reúne fabricantes como Audi, Porsche, Skoda, Seat, Cupra e Lamborghini, além da própria Volkswagen.
Grupo quer produzir 9 milhões de veículos por ano
A fabricante também pretende ajustar sua capacidade global de produção. A estrutura, atualmente dimensionada para cerca de 12 milhões de veículos anuais, deverá ser reduzida para aproximadamente 9 milhões de unidades por ano, nível mais próximo do volume efetivamente comercializado recentemente.
O objetivo financeiro é alcançar uma margem de retorno entre 8% e 10%. Para isso, a empresa pretende concentrar investimentos nos segmentos e produtos considerados mais rentáveis.
A reestruturação acontece em um momento de forte pressão sobre a indústria automotiva europeia, principalmente pelo avanço das fabricantes chinesas, aumento dos custos e mudanças provocadas pela eletrificação.
Fábricas e empregos também podem ser afetados
As mudanças não deverão ficar restritas aos carros. O Grupo Volkswagen também avalia uma redução de sua estrutura industrial, principalmente na Alemanha.
Informações publicadas nos últimos dias apontam para a possibilidade de fechamento ou reorganização de até quatro fábricas alemãs. Os planos de redução de pessoal do grupo também podem alcançar até 100 mil postos de trabalho, embora detalhes sobre todas as unidades e funções afetadas ainda estejam em discussão.
O diretor financeiro do grupo, Arno Antlitz, defende mudanças estruturais mais profundas para enfrentar o atual cenário econômico e geopolítico.
Quais carros podem sair de linha?
Até o momento, o Grupo Volkswagen não divulgou uma lista oficial com os modelos que serão descontinuados.
A estratégia, porém, deverá priorizar carros de maior volume de vendas e importância comercial. Modelos como Polo, Golf, T-Roc e Tiguan aparecem entre os produtos com maior possibilidade de permanecer no portfólio.
Por outro lado, veículos de nicho e com menor volume podem ficar mais ameaçados. Entre os modelos citados estão o T-Roc Cabriolet e o SUV cupê elétrico ID.5.
O Taigo, vendido na Europa e relacionado ao projeto do Nivus, também enfrenta um cenário de maior pressão dentro do portfólio europeu.
Mudança pode atingir várias marcas do grupo
A redução do portfólio não envolve apenas os carros com a marca Volkswagen. A reorganização poderá afetar diferentes fabricantes controladas pelo grupo, especialmente onde existam modelos com propostas, plataformas e posicionamentos semelhantes.
Com menos carros, versões e motorizações, o objetivo é concentrar recursos nos produtos considerados estratégicos e reduzir a complexidade industrial.
As mudanças deverão acontecer gradualmente até 2030. Portanto, a redução de até metade do portfólio não significa que todos os modelos ameaçados sairão de linha imediatamente, mas indica uma das maiores reorganizações recentes da indústria automotiva mundial.