Os carros híbridos plug-in, conhecidos como PHEV, oferecem a possibilidade de realizar boa parte dos deslocamentos utilizando apenas energia elétrica. A característica, porém, pode trazer um problema pouco percebido pelos proprietários: a gasolina permanecer por semanas ou meses no tanque sem ser consumida.
 
Quando o veículo passa longos períodos funcionando exclusivamente no modo elétrico, o combustível armazenado fica exposto a variações de temperatura e à umidade do ambiente. Com o tempo, a gasolina sofre degradação química, perde propriedades de queima e pode provocar problemas no motor e no sistema de alimentação.
 
Combustível também tem prazo de conservação
 
Gasolina degrada em poucos meses em qualquer carro, mas nos híbridos plug-in o risco de não ser usada por meses é maior (Divulgação/GWM) 
 
 
Em condições ideais de armazenamento, a gasolina pode durar cerca de seis meses antes de perder eficiência. Dentro do tanque de um veículo, entretanto, o processo pode ser mais agressivo devido à oxidação contínua e à eventual entrada de umidade pelo sistema de alimentação.
 
Com a degradação, parte dos hidrocarbonetos evapora, o que pode reduzir a octanagem do combustível e favorecer a formação de resíduos mais pesados.
 
Além disso, a gasolina comercializada no Brasil contém obrigatoriamente etanol anidro, que pode representar até 32% da mistura. O etanol possui maior capacidade de absorver umidade, contribuindo para processos de corrosão em componentes metálicos.
 
O combustível envelhecido também pode adquirir uma consistência semelhante a uma “goma”, dificultando sua passagem pelo sistema de alimentação e prejudicando o funcionamento do motor.
 
Em casos mais severos, os efeitos podem começar com perda de potência e evoluir para problemas mais caros, incluindo danos à bomba de alta pressão em veículos equipados com injeção direta.
 
Alguns veículos já alertam o motorista
 
Diante desse risco, algumas fabricantes passaram a incorporar estratégias para reduzir os problemas provocados pelo envelhecimento da gasolina.
 
Um exemplo é o sistema utilizado em determinados modelos da Volvo. O software pode acompanhar a idade do combustível e emitir alertas graduais ao motorista. Inicialmente, o veículo recomenda ligar o motor a combustão para que a gasolina seja utilizada.
 
Caso o aviso seja ignorado, o sistema pode assumir o controle e realizar a queima do combustível de maneira automática. Em situações mais avançadas, pode ser necessária uma intervenção técnica.
 
Apesar disso, esse tipo de recurso ainda não é um padrão entre os veículos eletrificados vendidos no Brasil. Fabricantes como BYD e GWM, por exemplo, não oferecem atualmente o mesmo tipo de alerta preditivo relacionado ao envelhecimento da gasolina em seus modelos.
 
Na prática, a conservação do combustível continua dependendo principalmente dos hábitos de utilização do proprietário.
 
Como evitar que a gasolina fique velha
 
Uma das formas mais simples de reduzir o risco é utilizar periodicamente o motor a combustão, evitando que o veículo permaneça durante meses funcionando somente no modo elétrico.
 
Outra estratégia é manter o tanque com um volume relativamente baixo e renovar o combustível regularmente, evitando que a mesma gasolina permaneça armazenada por longos períodos.
 
Também pode ser interessante utilizar gasolina premium em determinadas situações, já que sua composição oferece maior estabilidade físico-química e pode ajudar quando o veículo passa períodos prolongados sem consumir combustível.
 
Por outro lado, simplesmente esvaziar completamente o tanque para tentar solucionar o problema não é necessariamente uma boa alternativa. O comportamento do veículo diante de uma situação de tanque vazio varia de acordo com o projeto de cada fabricante.
 
Em alguns modelos, como Toyota Prius, Corolla e Corolla Cross, por exemplo, a bateria pode se esgotar antes de o motorista perceber a falta de combustível. Nessa situação, o sistema pode entrar em um modo de segurança e exigir uma reinicialização em oficina mesmo depois que o tanque for abastecido novamente.
 
Por isso, para quem possui um híbrido plug-in e costuma fazer praticamente todos os deslocamentos utilizando eletricidade, a recomendação é não esquecer que a gasolina continua sendo um combustível que precisa ser consumido e renovado, mesmo quando o motor a combustão é pouco utilizado.