O estepe deixou de ser uma solução única nos carros novos. Além da tradicional roda sobressalente, existem modelos temporários, kits de reparo e pneus run-flat. Alguns veículos também podem sair de fábrica sem uma roda reserva, utilizando sistemas alternativos previstos na configuração homologada.
A escolha não depende apenas do espaço disponível no porta-malas. Cada solução possui características e limitações que devem ser observadas pelo motorista.
Estepe convencional
É o modelo mais tradicional, com roda e pneu capazes de substituir a unidade danificada. É comum principalmente em picapes e veículos destinados a usos mais severos.
A principal vantagem é permitir maior autonomia após um pneu furado. Por outro lado, a roda completa ocupa mais espaço e acrescenta peso ao veículo.
O estepe convencional também não precisa necessariamente ser idêntico às quatro rodas de uso normal. A roda pode ter especificações diferentes, desde que a configuração esteja de acordo com o projeto do veículo.
Estepe temporário
Também conhecido como estepe fino, é mais estreito e leve que o conjunto convencional. Sua função é permitir que o motorista continue o deslocamento até reparar ou substituir o pneu original.
A Resolução Contran nº 913/2022 determina que a fabricante informe a velocidade máxima permitida para o uso do estepe temporário e que o manual oriente o reparo do pneu original com brevidade.
Não existe uma quilometragem máxima universal definida pela legislação. A distância deve seguir as orientações da fabricante.
A regulamentação também prevê que o diâmetro externo do conjunto sobressalente seja igual ao dos pneus de rodagem, mas admite diferenças quando a montadora comprova, na homologação, que elas não comprometem a segurança, a dirigibilidade, a capacidade de carga e a tração do veículo.
A pressão do estepe também pode ser diferente da utilizada nos pneus convencionais. Por isso, o valor indicado no manual ou na etiqueta do veículo deve ser seguido.
Kit de reparo
Alguns veículos substituem o estepe por um kit composto normalmente por compressor e selante.
A vantagem é economizar peso e espaço. Porém, o sistema não resolve todos os tipos de danos. Cortes maiores, danos no flanco ou problemas na roda podem impedir o reparo e exigir assistência.
Nos veículos que utilizam sistemas capazes de rodar sem pressão, a regulamentação determina que sejam fornecidos recursos para reparo e insuflagem conforme as especificações previstas.
Pneus run-flat
Os pneus run-flat possuem construção reforçada que permite ao veículo continuar rodando temporariamente após a perda de pressão.
A principal vantagem é evitar uma parada imediata para a troca do pneu em determinadas situações. Porém, também existem limites de velocidade e distância definidos pelo fabricante.
Por isso, mesmo um run-flat não deve ser tratado como um pneu que pode rodar indefinidamente sem pressão.
Todo carro precisa ter estepe?
Não necessariamente.
A regulamentação brasileira prevê diferentes soluções para veículos e admite sistemas alternativos ao conjunto tradicional de roda e pneu sobressalente, desde que atendam aos requisitos aplicáveis. A Resolução Contran nº 913/2022 trata especificamente do estepe temporário e desses sistemas alternativos.
A Resolução nº 993/2023, por sua vez, estabelece os equipamentos obrigatórios para os veículos em circulação.
Assim, um carro projetado e homologado de fábrica para utilizar um kit de reparo, run-flat ou outra solução prevista não está irregular simplesmente por não possuir um estepe convencional.
O papel da homologação
A configuração do veículo precisa atender aos requisitos de segurança estabelecidos na legislação. A Portaria Senatran nº 990/2022 regulamenta os procedimentos de homologação e a emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT).
No caso dos estepes temporários, a montadora ou concessionária também deve informar, durante a entrega técnica, as observações e restrições relacionadas ao conjunto ou ao sistema alternativo.
O que diz o Inmetro?
Os pneus destinados exclusivamente ao uso temporário possuem regras específicas. O Inmetro determina que eles sejam identificados de forma permanente como “Uso Temporário” ou “Temporary Use Only”. Esses pneus possuem particularidades em relação aos requisitos de desempenho aplicáveis aos pneus convencionais.
A regulamentação do Contran também estabelece que a roda e o pneu utilizados como sobressalente temporário devem atender às normas do Inmetro.
Qual é o melhor tipo?
Depende do veículo e da utilização.
O estepe convencional oferece maior autonomia, mas ocupa mais espaço e pesa mais. O estepe temporário é mais compacto, porém possui restrições de uso. O kit de reparo economiza espaço, mas não atende a todos os tipos de avaria. Já o run-flat permite continuar rodando após a perda de pressão, dentro dos limites estabelecidos pela fabricante.