Nem sempre um motor ganha fama negativa por ser ruim. Em muitos casos, o problema está na falta de manutenção preventiva, no uso de peças inadequadas ou até na complexidade dos reparos exigidos quando surgem defeitos.
 
Com a evolução da tecnologia automotiva, os motores ficaram mais eficientes e econômicos, mas também mais sofisticados. Como consequência, algumas mecânicas passaram a exigir ferramentas específicas, mão de obra especializada e custos elevados de reparação.
 
Confira cinco motores que frequentemente aparecem entre os menos apreciados por oficinas e mecânicos.
 
Ford 1.0 Ti-VCT
 
Presente em modelos como Ford Ka e Fiesta, o motor 1.0 Ti-VCT conquistou elogios pelo desempenho e consumo.
 
O problema está na utilização da correia dentada banhada a óleo.
 
Quando o proprietário utiliza óleo fora das especificações recomendadas ou atrasa as trocas, a correia pode começar a se deteriorar e liberar resíduos no sistema de lubrificação.
 
Entre os principais riscos estão:
  • Entupimento do pescador da bomba de óleo;
  • Falhas de lubrificação;
  • Danos internos ao motor;
  • Troca complexa da correia.
 
A substituição do componente exige ferramentas específicas e procedimentos rigorosos de sincronismo.
 
Peugeot, Citroën e BMW 1.6 THP
 
O famoso motor 1.6 THP é reconhecido pelo excelente desempenho, mas também pela necessidade de manutenção criteriosa.
 
Os principais pontos de atenção envolvem:
  • Bomba de alta pressão da injeção direta;
  • Corrente de comando;
  • Tensionadores hidráulicos;
  • Carbonização interna.
 
Como vários problemas apresentam sintomas semelhantes, o diagnóstico costuma ser mais complexo e exige equipamentos adequados.
 
Por isso, muitos mecânicos consideram esse propulsor um verdadeiro desafio.
 
Volkswagen 1.0 TSI
 
Os motores da família EA211 ajudaram a popularizar os turbos no Brasil.
 
Entretanto, com o aumento da quilometragem, muitos exemplares apresentam um problema típico dos motores com injeção direta: a carbonização das válvulas de admissão.
 
Como o combustível não passa pelas válvulas, ocorre o acúmulo gradual de resíduos.
 
Os sintomas incluem:
  • Marcha lenta irregular;
  • Perda de potência;
  • Aumento do consumo;
  • Falhas de funcionamento.
 
A limpeza exige desmontagem parcial do conjunto e mão de obra especializada.
 
Chevrolet 3.6 V6 Alloytec e 2.4 Ecotec
 
Utilizados em modelos como Captiva, Malibu e Omega australiano, esses motores também costumam preocupar oficinas.
 
O principal motivo é a complexidade do sistema de distribuição.
 
No caso do V6 Alloytec, o conjunto utiliza:
  • Múltiplas correntes de comando;
  • Guias;
  • Tensionadores hidráulicos.
 
Quando as trocas de óleo são negligenciadas, a formação de borra pode comprometer o funcionamento do sistema.
 
Em alguns reparos, a remoção completa do conjunto motriz se torna necessária, elevando significativamente os custos.
 
Fiat 1.8 E.torQ
 
Apesar da fama de robustez, o motor 1.8 E.torQ possui um ponto crítico bastante conhecido nas oficinas: o trocador de calor do óleo.
 
Quando o sistema de arrefecimento opera sem o aditivo correto, pode ocorrer corrosão interna do componente.
 
O defeito pode provocar a mistura entre:
  • Óleo lubrificante;
  • Líquido de arrefecimento.
 
Quando isso acontece, forma-se uma substância semelhante a uma pasta que contamina mangueiras, reservatório, radiador e outros componentes.
 
A recuperação normalmente exige limpeza completa do sistema e substituição de diversas peças.
 
O problema nem sempre está no motor
 
Especialistas destacam que muitos desses motores apresentam boa durabilidade quando recebem manutenção adequada.
 
O uso do óleo correto, revisões periódicas, combustível de qualidade e respeito aos intervalos recomendados pelos fabricantes continuam sendo os principais fatores para evitar problemas graves e aumentar a vida útil do conjunto mecânico.
 
Em muitos casos, o verdadeiro pesadelo das oficinas não é o motor em si, mas os anos de manutenção negligenciada acumulados antes de o veículo chegar ao elevador.