Os carros zero-quilômetro vendidos no Brasil poderão ter uma redução de preço em janeiro de 2027 caso o atraso na regulamentação do Imposto Seletivo impeça a cobrança do tributo no início do ano. A possibilidade está relacionada à transição prevista na reforma tributária, que altera a forma de tributação de diversos produtos, incluindo veículos.
Conhecido popularmente como “imposto do pecado”, o Imposto Seletivo foi criado para desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. No setor automotivo, a cobrança deverá considerar fatores relacionados à eficiência energética e às emissões dos veículos.
Por que os carros podem ficar mais baratos?
A principal questão está no atraso da definição das alíquotas e das regras específicas do novo imposto. Para que a cobrança comece em janeiro de 2027, é necessário respeitar o prazo legal de anterioridade de 90 dias.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a ausência de regulamentação dentro do prazo pode impedir a cobrança imediata do Imposto Seletivo. Nesse cenário, as montadoras poderiam pagar menos tributos no início de 2027, criando condições para eventuais reduções nos preços dos veículos.
Entretanto, uma diminuição de impostos não significa que todos os modelos ficarão automaticamente mais baratos. O repasse ao consumidor dependerá das decisões das fabricantes e das concessionárias, além dos custos de produção, das margens comerciais e das condições do mercado.
O que acontece com o IPI?
A reforma tributária prevê a substituição gradual de tributos atuais por um novo sistema. A partir de 2027, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será reduzido a zero em grande parte dos produtos, com exceções relacionadas à Zona Franca de Manaus.
No caso dos veículos, ainda existe incerteza sobre como será feita a transição entre o IPI e o Imposto Seletivo. Uma das possibilidades discutidas é a adoção de medidas para manter regras tributárias durante o período de regulamentação do novo imposto.
O diretor da Bright Consulting, Cassio Pagliarini, avalia que o governo poderá editar uma medida provisória para manter mecanismos como o IPI Verde até que o novo sistema esteja definido. Essa possibilidade, porém, não representa uma decisão definitiva.
Modelos mais eficientes podem ter vantagem
O Imposto Seletivo deverá considerar critérios ambientais, o que pode resultar em diferenças na tributação entre os veículos. Modelos mais eficientes e menos poluentes poderão ter tratamento tributário mais favorável, enquanto aqueles com maiores índices de emissões poderão enfrentar uma carga maior.
Além disso, a origem do veículo, os incentivos fiscais aplicáveis e os custos dos componentes também podem influenciar o preço final. Por isso, ainda não é possível estabelecer quais carros terão redução nem calcular o tamanho de um eventual desconto.
Redução ainda não está garantida
Embora janeiro de 2027 possa abrir uma oportunidade para comprar determinados veículos com preços menores, o cenário permanece indefinido. A regulamentação do Imposto Seletivo e as decisões do governo sobre a transição tributária serão determinantes para saber como as mudanças afetarão o mercado.
Para quem pretende comprar um carro novo, a recomendação é acompanhar os anúncios oficiais e comparar os preços efetivamente praticados pelas concessionárias. Até que as regras sejam confirmadas, qualquer previsão de desconto deve ser tratada como uma possibilidade, e não como uma redução garantida.