Depois de registrar uma queda de 10% nas vendas globais e ver seus lucros despencarem 92,7% em 2025, a Porsche anunciou uma profunda reestruturação para os próximos anos. Batizado de Estratégia 2035, o plano busca tornar a fabricante mais eficiente, reduzindo custos, simplificando sua linha de veículos e priorizando a rentabilidade em vez do volume de vendas.
 
Segundo o novo CEO da marca, Michael Leiters, a Porsche não pretende voltar a bater recordes de produção. Pelo contrário: a fabricante limitará sua produção anual a aproximadamente 280 mil veículos, volume semelhante ao registrado em 2025 e inferior às cerca de 320 mil unidades produzidas em 2023, seu melhor desempenho da história.
 
Menos carros, mais lucro
 
A filosofia da nova gestão é clara: vender menos, mas ganhar mais.
 
Para isso, a Porsche pretende fortalecer ainda mais sua imagem de exclusividade, evitando estratégias baseadas em grandes volumes ou promoções para impulsionar as vendas.
 
"A Porsche precisa ser capaz de gerar lucro mesmo com menos carros", afirmou Michael Leiters. Segundo o executivo, o objetivo é fazer com que os clientes escolham um Porsche pelo desejo de possuir a marca, e não por condições comerciais mais agressivas.
 
Quase 4 mil empregos serão cortados
 
A reestruturação também afetará a operação da empresa.
 
O plano prevê a redução de aproximadamente 3.900 postos de trabalho até 2030, como parte da estratégia para enxugar custos e aumentar a eficiência da fabricante.
 
Além da diminuição da força de trabalho, a Porsche também pretende reduzir a complexidade de sua gama de produtos. Diversas versões e configurações deverão deixar de existir para simplificar a produção e diminuir os custos de desenvolvimento.
 
Mais parceria com Audi
 
Outra frente importante da Estratégia 2035 será o aumento da integração com outras marcas do Grupo Volkswagen.
 
A Porsche pretende ampliar o compartilhamento de plataformas e componentes com a Audi, reduzindo custos sem abrir mão do posicionamento premium.
 
Entre os projetos conjuntos estão a próxima geração do Macan a combustão, que compartilhará diversos elementos com o futuro Audi Q5, além do inédito SUV de sete lugares da Porsche, que terá forte relação técnica com o futuro Audi Q9.
 
Combustão continua viva
 
Apesar da expansão dos elétricos, a Porsche reforçou que continuará apostando em uma estratégia multienergia.
 
A marca seguirá oferecendo modelos com motores a combustão, híbridos e 100% elétricos, atendendo diferentes perfis de consumidores.
 
Entre os elétricos, o grande destaque será o futuro Cayenne EV, considerado um dos lançamentos mais importantes da fabricante para os próximos anos. Os novos Boxster e Cayman também serão totalmente elétricos.
 
Por outro lado, a Porsche tranquilizou os fãs mais tradicionais ao confirmar que o lendário 911 continuará equipado com motor a combustão. O esportivo receberá evoluções híbridas de alto desempenho, mas não será transformado em um modelo totalmente elétrico.
 
Com a Estratégia 2035, a Porsche aposta que uma produção mais enxuta, maior eficiência operacional e foco em modelos altamente rentáveis serão suficientes para recuperar sua lucratividade e manter o prestígio da marca no segmento de luxo.