Quem acompanha o mercado automotivo provavelmente já percebeu uma curiosidade: boa parte dos carros chineses vendidos atualmente utiliza motores 1.5 litro. Modelos como GWM Haval H6, BYD Song Plus, diversos veículos da Caoa Chery, Omoda, Jaecoo e outras marcas seguem exatamente essa receita.
 
Mas a explicação vai muito além da engenharia.
 
Impostos ajudaram a definir o padrão
 
Uma das principais razões para a popularização dos motores 1.5 está na legislação tributária chinesa e de diversos países do Sudeste Asiático.
 
Durante muitos anos, motores de até 1.5 litro ficaram enquadrados em faixas de tributação mais favoráveis. Ultrapassar essa cilindrada significava pagar impostos maiores, tornando os veículos menos competitivos.
 
Com isso, as fabricantes concentraram investimentos justamente nessa arquitetura, aperfeiçoando continuamente motores de 1.5 litro em vez de desenvolver diversas opções maiores.
 
A herança veio de Corolla e Lancer
 
A origem dessa história remonta ao início dos anos 2000.
 
Na época, montadoras chinesas ainda não possuíam motores próprios e recorreram a projetos japoneses já consagrados.
 
Uma joint venture entre Toyota e FAW passou a fabricar na China os motores 1.3 e 1.5 da família Toyota 8A, utilizados originalmente no Corolla.
 
Ao mesmo tempo, diversas fabricantes adotaram os motores Mitsubishi Orion 4G15 e 4G18, que equipavam o Lancer. Esses propulsores serviram como base para o desenvolvimento de inúmeros motores chineses atuais.
 
Economia de escala acelerou a evolução
 
Com praticamente toda a indústria desenvolvendo motores semelhantes, a produção em larga escala reduziu custos de fabricação e facilitou a evolução tecnológica.
 
Hoje, esses propulsores contam com turbo, injeção direta, comandos variáveis e trabalham em conjunto com sistemas híbridos, entregando desempenho elevado mesmo com deslocamento relativamente pequeno.
 
Essa padronização também facilita a fabricação de peças, reduz custos industriais e acelera o desenvolvimento de novas gerações de motores.
 
Híbridos consolidaram ainda mais o motor 1.5
 
A eletrificação também ajudou a consolidar essa cilindrada.
 
Nos veículos híbridos, o motor a combustão atua em conjunto com motores elétricos, tornando desnecessário o uso de propulsores maiores.
 
É justamente por isso que SUVs como BYD Song Plus, GWM Haval H6, Omoda 7 e diversos outros utilizam motores 1.5 combinados à eletrificação para alcançar elevados níveis de potência, baixo consumo e menores emissões.
 
Diferente da estratégia ocidental
 
Enquanto as fabricantes chinesas apostaram nos motores 1.5 de quatro cilindros, muitas montadoras europeias e norte-americanas seguiram outro caminho.
 
Marcas como Ford, BMW, Volvo e Nissan passaram a investir em motores 1.5 de três cilindros, utilizando plataformas modulares que compartilham diversos componentes com motores 2.0, reduzindo custos de desenvolvimento.
 
Na prática, cada região adotou uma estratégia diferente para alcançar eficiência, desempenho e economia de produção.