O Pagani Utopia Roadster é um daqueles carros que parecem existir para desafiar os limites da engenharia automotiva. Avaliado em cerca de R$ 60 milhões, o exemplar destinado ao Brasil está entre os veículos mais caros já vendidos no país. Agora, o modelo foi experimentado pela imprensa em uma pista de testes da Pirelli, em Vizzola Ticino, na Itália.
 
Mesmo com o asfalto completamente molhado, o hipercarro mostrou que sua proposta vai muito além de números impressionantes. A combinação entre baixo peso, pneus inteligentes, eletrônica avançada e um motor V12 de alta potência permite que o Utopia seja conduzido com precisão mesmo em condições de baixa aderência.
 
V12 entrega 864 cv
 
Em uma época em que supercarros híbridos e elétricos já ultrapassam a marca dos 1.000 cv, a Pagani escolheu seguir um caminho diferente.
 
O Utopia utiliza um motor 6.0 V12 biturbo desenvolvido pela Mercedes-AMG, capaz de entregar 864 cv e 112 kgfm de torque. Toda essa força é enviada exclusivamente para as rodas traseiras.
 
O modelo pode ser equipado com câmbio manual de sete marchas, com o tradicional trambulador exposto, ou com uma transmissão automatizada de embreagem única, também de sete velocidades.
 
A Pagani não divulga oficialmente o tempo de 0 a 100 km/h, mas o Utopia é capaz de atingir essa marca na casa dos três segundos. A velocidade máxima chega a 350 km/h.
 
Apenas 1.280 kg
 
Um dos maiores diferenciais do Utopia está justamente na obsessão da Pagani pela redução de peso.
 
Com 4,70 metros de comprimento, o hipercarro pesa apenas 1.280 kg em ordem seca, número inferior ao de diversos SUVs compactos vendidos no Brasil.
 
A relação peso/potência chega a impressionantes 1,48 kg/cv, resultado que ajuda a explicar a agilidade do modelo. Para efeito de comparação, um Porsche 911 Turbo S possui relação de aproximadamente 2,45 kg/cv.
 
A estrutura utiliza um monocoque e carroceria produzidos com compostos avançados de carbono e titânio desenvolvidos pela própria Pagani.
 
Roadster pesa o mesmo que o cupê
 
Normalmente, transformar um carro em conversível exige reforços estruturais para compensar a retirada do teto, o que costuma aumentar o peso.
 
No Utopia Roadster, porém, a Pagani conseguiu manter os mesmos 1.280 kg da versão cupê.
 
O proprietário pode utilizar duas configurações de cobertura. A primeira é um hardtop removível de fibra de carbono com teto de vidro panorâmico. A segunda é uma capota de lona leve que pode ser armazenada no próprio veículo.
 
Pneus inteligentes ajudam no controle
 
Durante a experiência na pista molhada, um dos elementos que mais chamaram atenção foram os pneus Pirelli P Zero Corsa Cyber Tyre, que estreiam de fábrica no Utopia.
 
O sistema utiliza sensores instalados na parte interna dos pneus para enviar informações à central eletrônica do veículo. Esses dados permitem ajustar de maneira mais precisa a entrega de potência e torque, além da atuação dos freios e dos controles de tração e estabilidade.
 
Na prática, a tecnologia ajuda o motorista a manter o controle do carro mesmo quando as condições de aderência estão longe das ideais.
 
Durante a volta, o piloto de testes Matteo Bolondi conduziu o Utopia em uma pista completamente molhada, alternando acelerações fortes, frenagens e curvas fechadas. Mesmo com os controles eletrônicos inicialmente desligados, o modelo mostrou comportamento previsível e preciso.
 
Experiência ao volante impressiona
 
No banco do passageiro, a experiência começa com uma forte aceleração do V12. O som do motor é acompanhado pelo tradicional sistema de escape com quatro saídas centralizadas na traseira.
 
Nas curvas e no trecho de slalom, o piloto utiliza o conjunto de suspensão e os sistemas eletrônicos para manter o carro sob controle. A suspensão independente utiliza braços triangulares sobrepostos de alumínio forjado, enquanto os amortecedores possuem controle eletrônico ativo.
 
As rodas são forjadas, com 21 polegadas na dianteira e 22 polegadas na traseira.
 
Mesmo com o asfalto encharcado, o Utopia consegue atacar as curvas e as zebras com precisão, antes de retornar aos boxes após uma sequência de acelerações e frenagens.
 
Interior foge da tendência das telas
 
Se por fora o Utopia impressiona pelas proporções e pelo desenho, o interior segue uma filosofia diferente da adotada pela maioria dos carros modernos.
 
Não há uma grande quantidade de telas. Em vez disso, o painel é dominado por mostradores analógicos e uma série de comandos físicos.
 
O acabamento utiliza couro legítimo, alumínio e fibra de carbono. No centro do painel estão instrumentos que exibem informações como temperatura e pressão do óleo, da água e das turbinas.
 
A fibra de carbono também aparece nas saídas de ventilação, no painel e em diversos outros componentes. Segundo a Pagani, existem mais de 40 combinações e fórmulas diferentes de utilização do material no veículo.
 
Apenas 130 unidades
 
A exclusividade também é parte fundamental da receita do Utopia Roadster.
 
Serão produzidas apenas 130 unidades, cada uma com preço inicial de aproximadamente 3,1 milhões de euros, equivalente a mais de R$ 18 milhões antes de impostos e demais custos.
 
No Brasil, uma unidade da versão cupê foi vendida por aproximadamente R$ 60 milhões, tornando-se o carro mais caro já comercializado no país.
 
E quem pretendia comprar um Utopia Roadster terá de esperar por outra oportunidade. As 130 unidades da versão conversível já foram vendidas, mesmo antes do encerramento da produção.
 
Mais do que um supercarro de números impressionantes, o Utopia representa uma escolha deliberada da Pagani por uma receita cada vez mais rara: motor V12 a combustão, câmbio manual, baixo peso, materiais nobres e uma experiência de condução que prioriza a conexão entre motorista e máquina.