A Hyundai prepara uma nova estratégia para crescer no mercado brasileiro e deverá recorrer às fábricas da Índia e da China para ampliar a oferta de veículos por aqui. A movimentação acontece em meio ao avanço dos carros eletrificados e às limitações da produção nacional da marca.
 
Em entrevista à revista Auto Esporte, o CEO global da Hyundai, José Muñoz, revelou que os planos para o Brasil incluem justamente esses dois mercados, que ganharam importância dentro da estratégia internacional da fabricante.
 
Índia pode ganhar papel de destaque
 
A Índia deve ser uma das principais fontes de novos modelos para o mercado brasileiro. A Hyundai possui uma fábrica em Pune com capacidade atual para produzir 1,1 milhão de veículos por ano, além de uma expansão que deverá elevar esse número para 1,42 milhão de unidades anuais a partir de 2030.
 
Com uma produção tão elevada, a exportação de veículos para outros mercados se torna uma alternativa estratégica para a fabricante.
 
Entre os modelos indianos que poderiam chegar ao Brasil estão os SUVs Exter e Venue, posicionados abaixo do Bayon e capazes de ampliar a presença da Hyundai entre os modelos de entrada.
 
Outro possível candidato é o Grand Creta, conhecido como Alcazar, que poderia ocupar o espaço de um SUV de sete lugares. O sedã Verna também aparece como uma alternativa para substituir o HB20S e manter a presença da marca no segmento de sedãs.
 
A Hyundai ainda poderia trazer da Índia o Creta elétrico, especialmente diante do crescimento dos veículos totalmente elétricos no mercado brasileiro. Atualmente, a marca oferece por aqui apenas o Ioniq 5 nessa categoria, modelo de posicionamento mais elevado.
 
China também será fonte de novos modelos
 
A estratégia não ficará restrita à Índia. A China também deverá fornecer veículos para ampliar a linha da Hyundai no Brasil.
 
Entre os modelos que podem ser considerados estão o Santa Fe, prometido pela marca desde 2024, e a nova geração do Tucson. A fabricante também avalia modelos elétricos produzidos no país asiático, incluindo o futurista Ioniq V.
 
A decisão está diretamente ligada à rápida expansão dos veículos eletrificados no Brasil. Segundo Muñoz, a Hyundai inicialmente trabalhava com uma estratégia mais concentrada em modelos flex e híbridos, mas passou a incluir também os elétricos diante da evolução do mercado.
 
Produção brasileira limita expansão
 
Atualmente, a fábrica da Hyundai em Piracicaba, no interior de São Paulo, já trabalha com um portfólio que ocupa praticamente toda a capacidade disponível.
 
A unidade produz modelos como HB20, HB20S, i20 e Creta, e a chegada de novos veículos exigirá reorganização da linha. O HB20S deverá deixar de ser produzido para abrir espaço ao Bayon, enquanto o HB20 também deverá ser descontinuado gradualmente.
 
O Creta, por sua vez, terá uma nova geração e ainda deverá dividir espaço com uma futura picape derivada do SUV.
 
Nesse cenário, o acordo entre Hyundai e Chevrolet também ganha importância. As duas empresas estudam uma colaboração que poderá permitir que modelos da Hyundai sirvam de base para futuros veículos da Chevrolet, enquanto as estruturas produtivas da marca norte-americana podem ajudar a ampliar a capacidade disponível.
 
Eletrificação ganha força no Brasil
 
A estratégia representa uma mudança de direção para a Hyundai no mercado brasileiro. Além de ampliar o número de modelos disponíveis, a marca pretende acompanhar o crescimento dos veículos híbridos e elétricos.
 
Com a utilização das fábricas da Índia e da China, a Hyundai poderá trazer modelos que não precisam necessariamente ser produzidos localmente, aumentando o portfólio enquanto novas possibilidades de produção no Brasil não são definidas.
 
A expectativa, portanto, é que Índia e China passem a ter papel cada vez mais importante na oferta da Hyundai no Brasil, principalmente entre SUVs e veículos eletrificados.