Em 1959, uma expedição liderada pelo então governador do Território Federal de Rondônia, coronel Paulo Nunes Leal, buscou uma alternativa para reduzir as dificuldades de transporte e a dependência das rotas hidroviárias e aéreas. A iniciativa pretendia estabelecer uma ligação pioneira entre Porto Velho e o Centro-Sul do Brasil.
Para realizar a missão, o governo adquiriu em São Paulo um caminhão Ford F-600, batizado de “Bandeirante”. O veículo foi preparado para transportar quatro toneladas de materiais não perecíveis, além de ferramentas para enfrentar possíveis dificuldades durante o percurso.
A equipe era formada por Manoel Maria Pereira Bezerra, chefe da expedição; Bismark Marcelino, motorista; e Auzier Santos, conhecido como “Pirralho”, responsável pela mecânica.
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A viagem começou em 10 de outubro de 1959. Um dos trechos mais difíceis estava entre Cáceres e Vila Bela, em Mato Grosso, onde os 318 quilômetros de estrada apresentavam atoleiros e extensas áreas de areia, dificultando o avanço do caminhão.
Outro obstáculo foi a travessia da antiga Ponte Marechal Rondon, sobre o Rio Guaporé. Com a estrutura de madeira deteriorada, os integrantes da expedição precisaram movimentar pranchões manualmente para permitir a passagem do veículo pelos cerca de 40 metros da ponte.
A viagem foi organizada em três etapas. Primeiro, o caminhão percorreu 2.917 quilômetros por terra, de São Paulo até Vila Bela, passando por Cuiabá e Cáceres. Depois, seguiu por via fluvial, em uma balsa pelos rios Guaporé e Mamoré, até Guajará-Mirim, em Rondônia. Por fim, o veículo foi transportado de trem pelos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré até Porto Velho.
Ao todo, o percurso somou 4.689 quilômetros. A chegada à capital rondoniense ocorreu em 19 de novembro de 1959, encerrando uma jornada que demonstrou a possibilidade de conectar diferentes modais de transporte para superar as barreiras geográficas da região.
A expedição do “Bandeirante” tornou-se um episódio marcante na história dos transportes em Rondônia, em um período no qual as dificuldades de acesso terrestre representavam um dos principais desafios para a integração do território com outras regiões do país.