A indústria automotiva brasileira passa por uma transformação acelerada com o avanço dos carros eletrificados, da conectividade e das novas tecnologias de segurança. Para executivos do setor, o país tem condições de acompanhar essa mudança, mas precisa modernizar a cadeia produtiva e ampliar os investimentos em tecnologia.
O tema foi discutido no painel de encerramento do Summit Futuro da Mobilidade 2026, realizado em São Paulo e promovido por Autoesporte e Valor Econômico. O debate reuniu representantes da GWM, GAC, Anfavea, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e HPE Brasil.
Cadeia de fornecedores precisa evoluir
Diego Fernandes, COO da GWM, afirmou que o Brasil ainda não está totalmente preparado para produzir a nova geração de veículos mais tecnológicos. Segundo ele, a diferença em relação aos mercados asiáticos é perceptível principalmente na modernização do parque industrial e dos fornecedores.
A avaliação é de que a transformação não pode ficar restrita às montadoras. Fabricantes de componentes, fornecedores e governos também precisam participar do processo, ampliando a oferta de tecnologias necessárias para os novos veículos.
Gustavo Schmidt, CCO da GAC Brasil, apresentou uma visão mais otimista e destacou que o tamanho do mercado brasileiro pode favorecer o desenvolvimento local.
Para o executivo, a indústria nacional pode aproveitar tecnologias desenvolvidas na Ásia e adaptá-las às características do mercado brasileiro.
Eletrificação e conectividade
Marcus Vinicius Aguiar, primeiro vice-presidente da Anfavea e presidente da AEA, apontou que a indústria brasileira terá de avançar em áreas como biocombustíveis, conectividade e digitalização.
Segundo ele, a chamada Indústria 4.0 já faz parte da realidade brasileira, mas ainda existem desafios importantes na estrutura produtiva e no parque de fornecedores.
Um dos exemplos citados envolve a construção dos veículos. Tecnologias utilizadas em modelos asiáticos permitem estruturas mais leves e rígidas, com diferentes materiais, processos de estampagem mais modernos e menor quantidade de pontos de solda.
Parceria entre Brasil e China
Mauro Correia, CEO da HPE Brasil, responsável pelas marcas Mitsubishi e Suzuki no país, destacou a capacidade da cadeia brasileira de se adaptar e defendeu uma maior troca de tecnologias entre empresas nacionais e estrangeiras.
Um dos exemplos está justamente na parceria entre GAC e HPE, que prevê a produção de veículos da marca chinesa em Catalão, Goiás, entre o final de 2026 e o início de 2027.
Correia também citou os motores flex como exemplo de uma tecnologia desenvolvida e consolidada no Brasil que pode interessar a fabricantes estrangeiras.
O que fará uma marca se destacar
Com a chegada de novas fabricantes ao país e o aumento da concorrência, os executivos também discutiram quais características serão determinantes para uma marca permanecer competitiva.
Para Gustavo Schmidt, da GAC, a tecnologia e a conectividade serão diferenciais importantes, principalmente para atender às expectativas dos consumidores.
Diego Fernandes, da GWM, destacou a necessidade de equilibrar o portfólio entre carros elétricos, híbridos e modelos a combustão.
Já Mauro Correia ressaltou a importância de cada fabricante manter sua identidade e conhecer bem o público para o qual seus produtos são desenvolvidos.
O debate mostrou que o Brasil possui uma base industrial capaz de acompanhar a transformação do setor, mas a velocidade dessa adaptação dependerá da modernização de toda a cadeia automotiva, especialmente dos fornecedores e dos processos de produção.