Sistema usa 21 microfones para identificar veículos que ultrapassam o limite de ruído; fiscalização está em fase experimental e pode resultar em multas no futuro.
São José dos Campos iniciou a implantação em fase de testes de um novo tipo de fiscalização eletrônica voltada ao combate do excesso de ruído no trânsito. Conhecidos como radares anti-ruído, os equipamentos são capazes de identificar veículos com escapamentos barulhentos e outras emissões sonoras acima do permitido, associando o som ao veículo que o produziu.
Como funciona o radar anti-ruído
Diferente dos radares tradicionais de velocidade, o sistema anti-ruído utiliza uma rede composta por 21 microfones de alta sensibilidade, instalados de forma estratégica no entorno da via. Esses sensores captam o som ambiente em tempo real e, por meio de processamento eletrônico, conseguem identificar:
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a intensidade do ruído, medida em decibéis;
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a direção de onde o som se origina;
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o momento exato em que o barulho ocorre.
Com essas informações, o sistema consegue isolar o veículo responsável pelo ruído excessivo, mesmo em vias com tráfego intenso. Em projetos desse tipo, os microfones trabalham integrados a câmeras de monitoramento, que permitem a identificação visual do veículo no instante da emissão sonora.
Onde os testes estão acontecendo
Em São José dos Campos, os equipamentos começaram a operar em caráter experimental em pontos de grande fluxo, como trechos do Anel Viário. Neste primeiro momento, o objetivo é mapear o nível de ruído, identificar horários críticos e entender o comportamento dos veículos que circulam nessas regiões.
Durante essa fase inicial, não há aplicação imediata de multas. Os dados coletados servirão para ajustes técnicos, calibração dos equipamentos e definição de critérios que garantam precisão e segurança jurídica ao processo.
O que pode gerar multa no futuro
A proposta da tecnologia é coibir situações comuns no trânsito urbano, como:
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escapamentos adulterados ou sem silenciador;
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motos e carros com sistemas de descarga livres;
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veículos que produzem ruído muito acima do padrão, mesmo sem aceleração prolongada.
Em caso de implantação definitiva, a multa tende a se enquadrar como infração relacionada a equipamento irregular ou emissão sonora excessiva, conforme previsto na legislação de trânsito.
Por que a cidade aposta nesse sistema
O excesso de ruído veicular é apontado como um problema crescente de saúde pública e qualidade de vida, especialmente em áreas residenciais e comerciais. Barulho constante pode causar estresse, distúrbios do sono e conflitos entre moradores e motoristas.
A adoção dos radares anti-ruído segue uma tendência observada em outras cidades brasileiras e internacionais, que buscam usar tecnologia para reduzir a poluição sonora sem depender apenas de abordagens presenciais.
O que muda para o motorista
Embora ainda esteja em fase de testes, a iniciativa serve de alerta para condutores. Manter o escapamento original ou devidamente regularizado, evitar modificações sonoras e realizar a manutenção adequada do veículo são medidas que ajudam a evitar problemas caso o sistema passe a multar oficialmente.
A Prefeitura deve divulgar, nos próximos meses, se haverá ampliação dos pontos monitorados e quando ou se a fiscalização passará a ter caráter punitivo. Até lá, o radar anti-ruído funciona como um termômetro do barulho no trânsito da cidade e um sinal claro de que o cerco aos escapamentos barulhentos está se fechando.