Por que o carro aquece mais no verão e como evitar pane na estrada

Temperaturas elevadas reduzem a eficiência do sistema de arrefecimento e expõem falhas ocultas; entenda os principais riscos e saiba como agir.

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Por que o carro aquece mais no verão e como evitar pane na estrada

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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Com a chegada do verão, torna-se mais comum encontrar veículos parados no acostamento, com o capô aberto e o motor superaquecido. O aumento das temperaturas não é apenas coincidência: o calor intenso exige mais do sistema de arrefecimento e pode levar o motor a operar próximo do limite ideal, especialmente quando há algum componente fora do padrão.
 
O problema não se restringe a viagens longas. Congestionamentos, uso contínuo do ar-condicionado e manutenção negligenciada agravam o cenário. A explicação começa em um princípio básico da física.
 
“O calor sempre flui do corpo mais quente para o mais frio, e essa troca é mais eficiente quanto maior for a diferença de temperatura entre eles”, explica Clayton Zabeu, professor de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia.
 
 
No verão, como o ar ambiente já está quente, a diferença de temperatura entre o radiador e o meio externo diminui. Com isso, o motor perde calor com mais dificuldade, o que pode levar ao superaquecimento quando o sistema não está operando em plena eficiência.
 
Ar-condicionado aumenta a carga térmica
O uso do ar-condicionado também influencia diretamente. O condensador do sistema fica posicionado à frente do radiador e aquece o ar que passa por ele. Na prática, o radiador do motor recebe um fluxo de ar mais quente, dificultando ainda mais a dissipação de calor.
 
Em veículos em bom estado, esse aumento é pequeno e totalmente administrável. Quando a temperatura sobe além do normal, o problema geralmente está ligado a falhas em algum subsistema.
 
Fluido vencido e válvula termostática: vilões injustiçados
Um dos mitos mais comuns é o de que o fluido de arrefecimento vencido provoca superaquecimento imediato. Segundo o professor, a troca periódica é essencial para evitar corrosão, depósitos internos e degradação dos aditivos, mas não costuma ser a causa direta da fervura do motor.
 
“A substituição do fluido é uma medida preventiva. Não é esperado que o motor superaqueça apenas porque o líquido está fora do prazo”, esclarece.
 
Outro componente frequentemente apontado como vilão é a válvula termostática. Sua função é manter o motor dentro da faixa ideal de temperatura, controlando a circulação do fluido entre o motor e o radiador.
 
“Não é correto afirmar que ela falha mais no calor extremo. O que ocorre é que, em condições severas, outros problemas comprometem a troca térmica”, afirma Zabeu.
 
Radiadores com aletas amassadas ou obstruídas — muitas vezes danificadas por lavagens com jato de alta pressão — são exemplos clássicos. Nesses casos, retirar a válvula termostática apenas mascara o defeito real.
 
Ventoinha e falhas elétricas
O eletroventilador é acionado por sensores que informam à central eletrônica a temperatura do líquido de arrefecimento. Ao atingir determinados limites, a ventoinha entra em funcionamento para acelerar a dissipação de calor.
 
Se houver falha elétrica, motor queimado ou sensor defeituoso, o risco de superaquecimento aumenta rapidamente, principalmente no trânsito urbano e em dias muito quentes.
 
Carga extra e uso severo
Rodar com o carro carregado, enfrentar subidas longas ou viajar sob calor intenso não deveria causar problemas em um veículo em boas condições.
 
“O sistema de arrefecimento é projetado para suportar condições extremas, mas possíveis. O superaquecimento só aparece quando algum componente já está comprometido”, ressalta o engenheiro.
 
Temperatura subiu: o que fazer
Ao perceber elevação anormal da temperatura, a recomendação é parar o veículo assim que possível, em local seguro. Abrir o reservatório de expansão com o motor quente é perigoso.
 
“Pode haver liberação de vapor sob pressão, com risco sério de queimaduras”, alerta Zabeu.
 
Se a temperatura ainda estiver abaixo do limite crítico indicado no painel, é possível seguir até um posto próximo, adotando cuidados como desligar o ar-condicionado, evitar acelerações fortes e manter o motor sob carga mínima. Qualquer sinal de fervura exige parada imediata.
 
Manutenção preventiva é a melhor defesa
A melhor forma de evitar panes no verão é investir em manutenção preventiva. Verificar vazamentos, checar o estado e a tensão da correia da bomba-d’água, observar resíduos no reservatório e garantir que o radiador esteja limpo e sem deformações são medidas fundamentais.
 
“O calor não cria o problema. Ele apenas evidencia algo que já não estava funcionando corretamente”, resume Clayton Zabeu.
 
Cuidar do sistema de arrefecimento evita transtornos, reduz custos e protege o motor, um dos componentes mais caros e sensíveis do automóvel.

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