Aeronautas reivindicam reajuste salarial enquanto mediação no TST não elimina risco de interrupção das operações
O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) anunciou nesta terça-feira (23) que pilotos e comissários entraram em estado de greve e podem paralisar as operações na próxima segunda-feira (29), caso não haja acordo sobre reajuste salarial e outras demandas da categoria.
A entidade informou que uma assembleia será realizada na manhã do dia 29 para deliberar sobre a deflagração do movimento grevista e o possível início da paralisação.
Segundo o SNA, as empresas aéreas seguem registrando bons resultados financeiros, enquanto negam ganho real aos profissionais. “É importante ressaltar que, ao mesmo tempo que negam aumento real para os tripulantes, as empresas continuam obtendo índices econômicos expressivos. Em 2025, as companhias aéreas registraram lucros recordes, inclusive a Azul, que mesmo em recuperação judicial apresentou resultados positivos e acima das expectativas”, afirmou o sindicato em comunicado.
O anúncio ocorreu poucas horas após a Azul (AZUL4) divulgar uma oferta pública de ações estimada em mais de R$ 7 bilhões, como parte do seu plano de recuperação judicial.
Dados do Ministério de Portos e Aeroportos indicam que o setor aéreo vive um dos períodos mais movimentados dos últimos anos. A expectativa é de que 2025 feche com um recorde de cerca de 130 milhões de passageiros transportados, superando níveis pré-pandemia. Somente entre janeiro e novembro, mais de 117 milhões de passageiros já haviam viajado de avião no país, um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024. O número de assentos ofertados também cresceu 8%, chegando a 91,9 milhões.
Procurado, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) não se manifestou até o momento.
O SNA informou ainda que uma audiência de mediação foi marcada no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para a tarde desta terça-feira, em Brasília. Entretanto, o presidente da entidade, Tiago Rosa da Silva, afirmou em vídeo que a assembleia e o movimento seguem mantidos “independentemente da mediação”.