Os maiores escândalos e fatos marcantes da indústria automotiva no Brasil em 2025

Da ofensiva chinesa e início da produção nacional de elétricos a crises industriais, controvérsias históricas e impactos climáticos, 2025 marcou uma das fases mais intensas e transformadoras da indústria automotiva brasileira.

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Os maiores escândalos e fatos marcantes da indústria automotiva no Brasil em 2025

Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) com presença do presidente Lula (PT) — Foto: Divulgação/GWM / Crédito: Luis Andreoli

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Em 2025, o Brasil deixou de ser apenas espectador das grandes movimentações globais e passou a ocupar um papel de destaque na indústria automotiva. O início da produção nacional de carros elétricos, a expansão agressiva das montadoras chinesas, o retorno do Salão do Automóvel, controvérsias históricas envolvendo marcas tradicionais e até eventos climáticos extremos ajudaram a redefinir o cenário do setor no país.
 
O mercado brasileiro atravessa um dos momentos mais decisivos de sua história recente. Em meio à corrida global pela eletrificação, o país deixou de ser apenas um grande consumidor e passou a ser peça estratégica, atraindo investimentos bilionários, enfrentando gargalos estruturais e sentindo os impactos diretos das mudanças climáticas sobre a produção.
 
A seguir, veja os acontecimentos que mais marcaram 2025:
 
A ofensiva chinesa: da importação à produção nacional
 
 
A presença das montadoras chinesas deixou de ser tendência e se consolidou como realidade industrial no Brasil. O movimento iniciado com importações competitivas ganhou força em 2025 com o início de produção local em maior escala.
 
A BYD inaugurou um novo ciclo industrial em Camaçari (BA), reativando o antigo complexo da Ford. O Dolphin Mini marcou o início da montagem local e simbolizou a retomada da Bahia como polo automotivo nacional.
 
Já a GWM iniciou operações em Iracemápolis (SP), na antiga fábrica da Mercedes-Benz, com foco em híbridos, versões flex e futuras opções plug-in (PHEV), além de um centro de engenharia local. A marca também realizou reestilização exclusiva para o Brasil no Haval H6, mostrando adaptação ao mercado nacional.
 
O impacto aparece nos números: as marcas chinesas já representam mais de 10% do mercado brasileiro e se consolidaram como a quarta maior força do setor.
 
O retorno do Salão do Automóvel
 
 
Após sete anos, o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo voltou em novembro, no Anhembi, com mais de meio milhão de visitantes.
A eletrificação dominou o evento, especialmente com marcas chinesas e experiências interativas. Mesmo sem nomes tradicionais como Chevrolet e Volkswagen, o recado foi claro: a discussão deixou de ser “se” a eletrificação vai avançar, para “quando” e “em que ritmo”.
 
Brasil entra no mapa da produção de elétricos
 
2025 entrou para a história com o início da produção nacional dos primeiros carros elétricos em escala comercial.
 
O BYD Dolphin Mini começou a ser montado em Camaçari, enquanto a General Motors iniciou a produção do Chevrolet Spark elétrico em Horizonte (CE), na antiga fábrica da Troller. Ambos chegam parcialmente montados da China, mas representam um marco industrial.
 
Nova onda de marcas chinesas
 
Além das já consolidadas BYD e GWM, uma segunda leva de montadoras chinesas desembarcou no Brasil em 2025:
 
• MG, sob controle da SAIC
• Geely, com apoio institucional e parte da operação Renault
• GAC, mirando o Brasil como hub latino-americano
• Jetour, focada em SUVs médios e grandes
• Changan em parceria com a Caoa para produção local
• Leapmotor, com produção confirmada em Goiana (PE) a partir de 2026 via Stellantis
• Denza, marca premium ligada à BYD e Mercedes-Benz
 
GM 100 anos: celebração com polêmica
 
 
A General Motors completou 100 anos no Brasil em 2025, mas as campanhas comemorativas geraram críticas por erros históricos em materiais institucionais. Entusiastas e especialistas apontaram falhas em cronologias e representações de modelos.
 
A polêmica da correia banhada a óleo
 
 
Ainda envolvendo a GM, a marca atualizou a correia banhada a óleo dos motores 1.0 três cilindros, agora reforçada com fibra de vidro.
A peça já era alvo de reclamações de consumidores que relataram falhas e prejuízos mecânicos. A GM alega que os problemas ocorreram em veículos sem manutenção correta, versão contestada por parte dos proprietários.
 
Vale lembrar que outras marcas também utilizam essa tecnologia, como Ford, Peugeot e Citroën.
 
Lecar posterga fábrica novamente
 
A prometida nova marca nacional Lecar voltou aos holofotes em 2025, mas pela ausência de resultados. A empresa adiou pela segunda vez o início da produção, agora previsto apenas para o segundo semestre de 2027.
 
No Salão do Automóvel, a marca exibiu apenas maquetes sem funcionalidade.
 
Tempestade paralisa fábrica da Toyota
 
Um dos episódios mais marcantes do ano foi o temporal que atingiu a Toyota em Porto Feliz (SP), destruindo parte da fábrica de motores e interrompendo operações por mais de 40 dias.
 
A marca precisou importar motores temporariamente e a normalização completa só deve ocorrer em 2026. O caso evidenciou a vulnerabilidade da indústria diante de eventos climáticos extremos.

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