Sedã nacional foi convertido por universidade gaúcha e passa a rodar queimando hidrogênio, com emissão praticamente zero
O Brasil acaba de entrar no mapa dos veículos movidos a hidrogênio com um projeto inédito. Um Fiat Siena foi transformado no primeiro carro nacional capaz de queimar hidrogênio em um motor convencional, mantendo o conhecido motor 1.4 Fire, sem necessidade de conversão para sistema elétrico.
O projeto foi desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e representa um avanço importante para o uso de combustíveis limpos no país.
Diferente dos veículos a célula de combustível, como o Toyota Mirai, que usam o hidrogênio para gerar eletricidade e alimentar motores elétricos, o Siena brasileiro utiliza o hidrogênio como combustível direto, substituindo etanol ou gasolina no próprio motor a combustão.
Como o Siena a hidrogênio funciona
O sedã manteve o motor 1.4 Fire, mas recebeu modificações no sistema de alimentação e no gerenciamento eletrônico para operar com hidrogênio. O combustível é armazenado em um cilindro específico, pressurizado a 150 bar, montado no veículo.
Essa pressão é bem menor do que a utilizada em carros a hidrogênio de fábrica, como o Toyota Mirai, que trabalha com até 700 bar, o que torna o projeto mais viável para testes no Brasil, onde ainda não existe infraestrutura de abastecimento de alta pressão.
O hidrogênio, por ter moléculas muito pequenas, exige tanques especiais, capazes de impedir vazamentos e garantir segurança durante o armazenamento.
Quem desenvolveu o projeto
A conversão foi realizada pelo Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões (GPMOT) da UFSM, como parte do trabalho de conclusão de curso do estudante Augusto Graziadei Folletto, do curso de Engenharia Mecânica.
O projeto recebeu apoio de instituições como CNPq, Finep e Fapergs, além das empresas Marelli, TCA-Horiba e FuelTech, responsável pelo sistema eletrônico de gerenciamento do motor.
Emissões praticamente zeradas
Ao rodar com hidrogênio, o Siena deixa de emitir poluentes tradicionais como monóxido de carbono. O único subproduto da combustão é água ou vapor d’água, o que torna o sistema extremamente limpo.
Isso comprova que motores a combustão interna, como o Fire, ainda podem ter papel relevante na transição energética, sem depender exclusivamente de veículos elétricos.
O que vem agora
Segundo os pesquisadores, o objetivo do projeto é testar a viabilidade técnica do uso do hidrogênio em motores já existentes. A escolha de um Siena mais antigo foi proposital, para mostrar que veículos comuns podem ser adaptados no futuro.
O próximo passo do grupo é aplicar a tecnologia em um veículo mais moderno, ampliando os testes e aproximando o conceito de uma possível aplicação comercial.