Peça controla emissões, influencia no funcionamento do veículo e sua ausência é infração grave
O catalisador é um dos principais componentes do sistema de controle de emissões dos veículos, mas ainda costuma ser negligenciado por muitos motoristas. Além de reduzir a liberação de gases poluentes, a peça tem papel direto no bom funcionamento do motor e na eficiência da injeção eletrônica.
O sistema eletrônico do carro utiliza diversos parâmetros para ajustar a queima de combustível, e parte dessas informações vem da sonda lambda instalada após o catalisador. Esse sensor analisa os gases resultantes da combustão e envia os dados para a central eletrônica, que faz os ajustes necessários para manter o motor operando dentro do padrão definido pela fábrica.
Quando o catalisador está danificado ou ausente, essa leitura pode ser comprometida. Com dados incorretos, o motor pode trabalhar de forma menos eficiente, aumentando o consumo, elevando as emissões e até provocando falhas em outros componentes do sistema.
Segundo o mecânico Pitucha, proprietário da Pitucha Centro Automotivo, a vida útil do catalisador pode ser reduzida por diversos fatores externos, especialmente falhas no sistema de ignição. “Velas gastas, cabos, bobinas com defeito, filtros ruins e combustível de má qualidade prejudicam a queima do combustível e aceleram o desgaste do catalisador”, explica.
A manutenção negligenciada desses itens provoca combustão irregular, fazendo com que resíduos danifiquem a parte interna do catalisador, cujo núcleo é cerâmico e contém metais preciosos responsáveis pelas reações químicas que reduzem a toxicidade dos gases.
Apesar de ser comum a ideia de que retirar o catalisador melhora o desempenho, especialistas alertam que, mesmo em carros preparados, os ganhos são mínimos. Além disso, a retirada exige reprogramação específica da injeção e pode causar problemas mecânicos. A alternativa mais indicada, nesses casos, é o uso de catalisadores esportivos de alto fluxo, que mantêm o veículo dentro da legalidade.
Do ponto de vista legal, rodar sem catalisador configura infração grave. A penalidade prevista é multa de R$ 195,23 e acréscimo de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Manter o catalisador em boas condições, portanto, vai além da preservação ambiental: garante que o motor funcione corretamente, evita prejuízos mecânicos e ainda protege o motorista de sanções previstas na legislação de trânsito.