Com público crescente, pilotos, preparadores e eventos pontuais, o estado passa a estruturar o esporte de forma profissional, com foco inicial em arrancada e kart e planejamento de longo prazo para autódromo.
O automobilismo em Rondônia vive um momento de transição. Apesar do crescimento do interesse do público, da presença de pilotos amadores e profissionais, além de oficinas, preparadores e eventos pontuais, o esporte ainda se desenvolveu historicamente de forma fragmentada e pouco estruturada no estado.
Segundo a Federação, o cenário atual é de grande potencial represado. Há público, vontade, talento e mercado, mas faltam padronização técnica, regras unificadas, calendário contínuo e representação institucional sólida nos moldes da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Nesse contexto, a criação da federação estadual surge como um marco para reorganizar o ecossistema do automobilismo em Rondônia. A entidade passa a atuar na definição de regras, estruturação de categorias, formação e habilitação de pilotos, árbitros e dirigentes, além de oferecer respaldo jurídico e esportivo para competições e projetos no estado.
Além disso, a federação tem o papel de conectar pilotos, clubes, poder público e iniciativa privada, criando um ambiente mais profissional, seguro e atrativo para quem compete, investe e acompanha o esporte.
Dentro desse planejamento, a estratégia adotada é iniciar por estruturas mais viáveis do ponto de vista técnico e financeiro. A implantação de uma pista de arrancada aparece como o primeiro passo, por demandar área menor, custo mais reduzido, implantação mais rápida e alto apelo popular. O kartismo também entra como prioridade, por ser uma das principais portas de entrada para novos pilotos e uma das modalidades mais demandadas no estado.
O autódromo, por sua vez, segue como objetivo de longo prazo, por exigir maior complexidade técnica, burocrática e investimentos elevados. A proposta é que o crescimento aconteça de forma gradual, com segurança, legalidade e impacto esportivo real, evitando a paralisação do desenvolvimento à espera de um único grande projeto.
Hoje, Rondônia já conta com grupos organizados de arrancada e kart, pilotos experientes, oficinas e preparadores qualificados, além de eventos informais que demonstram uma demanda reprimida pelo esporte. Também existem áreas e espaços que podem ser adaptados ou regularizados, o que serve como base para essa nova fase de estruturação.
Os principais desafios, segundo a federação, passam por três frentes: técnica, institucional e de apoio. Na área técnica, entram a homologação de pistas, segurança, equipamentos e formação de oficiais. No campo institucional, ainda há burocracia e a necessidade de consolidar uma cultura esportiva mais organizada. Já no apoio, pesa a ausência histórica de políticas públicas contínuas e patrocínios estruturados.
A atuação conjunta do poder público e da iniciativa privada é vista como essencial para viabilizar esse avanço. O poder público pode contribuir com cessão ou regularização de áreas, apoio institucional e normativo e a inclusão do automobilismo como política esportiva e turística. Já a iniciativa privada entra com patrocínio, serviços, inovação e profissionalização dos eventos.
Na avaliação da federação, iniciar esse debate agora é fundamental. Mesmo diante de demandas em áreas como saúde e educação, o esporte também é uma política pública estratégica, capaz de gerar inclusão, formação técnica, economia e identidade regional. Esperar por um cenário ideal pode significar perder tempo e oportunidades.
Os impactos esperados com essa construção gradual vão além das pistas. Estão previstos a formação de novos pilotos, geração de empregos e renda, fortalecimento do comércio e da indústria automotiva local, turismo esportivo, inclusão social e a inserção de Rondônia no calendário nacional do automobilismo.
A federação afirma que o caminho será longo e desafiador, mas que já está ativa e operante, trabalhando para transformar o automobilismo no estado em uma política esportiva permanente, baseada em planejamento, credibilidade e construção progressiva.